Manoel Costa nasceu como pintor no batismo dos igarapés do Pará, filho de pai canoeiro, criança de olho nas paisagens e nos perigos da selva, precocemente lançado na luta pela sobrevivência.

Como se ouvisse um canto de Mãe-D'água, o menino Manoel sentiu acender-se no peito a paixão de registrar em formas e cores os momentos mágicos da natureza. Assim, a pintura entrou em sua vida: como ritual de captura da beleza indizível, no magnetismo da paisagem.

Seu talento apurou-se no seu autodidatismo, superando as limitações do seu ambiente cultural. Premiado pelo governo do Amapá com uma bolsa de estudos na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, Manoel Costa pôde finalmente realizar sua vocação. Nem mesmo uma vitoriosa passagem pelo mundo da publicidade o afastou da arte. Ao longo do tempo, ele tem vivido a pintura como incessante busca de sua própria verdade, explorando linguagens diversas como abstracionismo, um expressionismo que liberta a figura das referências objetivas ou construção de uma estética domesticada no desenho mas livre no jogo emotivo das cores.

Em plena maturidade, a arte de Manoel Costa é documentada nesta página como acervo de prestígio na memória nacional - prometendo valiosas surpresas no futuro, em vista da firme determinação do artista de ir ao encontro da sua própria liberdade de expressão.

Walmyr Ayala
Escritor e Crítico de Arte


Frases do Artista:


"Poderia dizer que minha pintura tem carisma, que minha temática se identifica com o observador, mas acho que não é por aí. Há um peso visual na pintura que toca o sentido da vista e a partir disto a emoção. O grande segredo está aí, mas eu não sei a fórmula. Tentei excluir da minha cabeça todos os ismos, tendências, segmentos e passei a trabalhar com o elemento mágico da pintura: a cor. Tudo o mais para mim é secundário, a cor é que é importante. Procuro explorar toda a magia da cor, é um desafio. A cor tem uma infinidade de nuances e a partir das cores primárias, eu multiplico o espectro tonal. Não uso as cores puras, eu trabalho sobre elas até o ponto em que elas conseguem me fascinar e assim eu magnetizo o meu consumidor."

"Aos 18 anos, eu era um pintor caboclo, autodidata: versado no domínio da espreita, afiado na luta pela sobrevivência, mas, como todo aprendiz de arte, precisava combater incansavelmente minhas próprias deficiências de desenho e de conhecimento dos segredos da arte de pintar."
 
"Nas minhas primeiras paisagens, o que eu pretendia não era passar para a tela um retrato imitativo do real, mas sim fixar os momentos mágicos da natureza: a luz enfeitiçante do poente, o onirismo de um dia nublado, a doçura de águas paradas, a impetuosidade da preamar. (maré alta) ou o aconchego da reponta (maré vazante)."
 
"Eu tinha paixão pelo marabaixo, uma dança folclórica-ritual típica do Amapá, que mescla o sagrado e o profano. O povo reverencia o Divino Espírito Santo, mas ao mesmo tempo promove um grande folguedo, uma arrebatadora festa popular que dura 21 dias, logo após a Páscoa."