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Para análise mais atenta da obra de Manoel Costa é preciso
ater-se à sua figuração.
O artista na sua trajetória envolve-se com inúmeras
paisagens; cenas relatando o Homem nos seus múltiplos
afazeres. Surgem nesse contexto tarefas mostrando o
trabalhador brasileiro e com ele: a fauna, flora, alegrias,
precariedades, progresso e tristezas.
A princípio, o primeiro contato com suas obras direciona
o espectador para a figuração, envolvendo-o com o meio-circundante,
onde o ímpeto do artista parece prevalecer.
O realizar de Manoel Costa tende a uma estruturalização
geometrizante. São construções mostradas não somente
por formas constantes, mas também pelo domínio dos meios
materiais e instrumentais. A puxada das cores, o espaçar
dos contornos, a textura porosa, fazem parte da linguagem
de Manoel Costa. São tônicas que apontam o estilo do
artista. Esse fazer complementa-se com a presença de
cores compactas, imprimindo uma visão por vezes expressionista.
Nesse aspecto, podemos salientar, no todo, uma figuração
pouco caricatural onde o sentimento surge claro nos
semblantes criados ou no captar sensível do artista.
Sua fase abstrata é tensa e revela segmentos anteriores,
numa ruptura necessária e reveladora. Nos primeiros
trabalhos observa-se a magia distanciando o real. Opta
o artista por um mundo quase que fantasioso. Seu abstracionismo
segue o mesmo curso. Esse procedimento inicial é modificado
pelos anos no observar de um mundo presente, sintetizando
imagens e cores.
Aí está o artista diante das escolhas, em paixão contínua
com o universo.
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