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Quando o artista é realmente criador, ele colhe os principais
sons de vida em suas mãos, em seu coração, no seu corpo
inteiro. E em suas telas o que vibra, através da escolha
significativa de cores e de traços, é tudo aquilo que
até então não havia ganhado vez e voz no inconsciente
coletivo. Isso eu pude ver claramente, e mais uma vez,
quando, como grandes janelas de expressão, os seus quadros
de 1968 e 1970 se abriram para os meus olhos. Ali estavam,
pulsando como coisas vivas, situações típicas do ser
humano num período de opressão. E com esses olhos -
que ele próprio, o Manoel Costa, alargou em mim - foi
que pude também ver, amar, entender e admirar, em todas
as suas demais fases, a grande música de existência
que sai - ou melhor, que irrompe - dos seus pincéis,
movidos pelo seu enorme talento criador. Em suma, autenticidade,
eis o que define Manoel Costa.
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