|
O
escritor se lembra, sonha, inventa - e depois faz disso
matéria literária. Já o artista
plástico, o que ele inventa, o que ele sonha,
o que recorda, há que ter uma existência
objetiva, feito cor, luz e imagem. As suas imaginações
devem ter uma dimensão formal no espaço,
uma existência na verdade concreta. Daí
a dificuldade do pobre escritor de opinar sobre artes
plásticas. Tem que ficar na apreciação
emocional, no impacto que lhe causou a obra de arte,
já que as dificuldades da técnica estão
acima do seu entendimento.
Digo isso tudo diante da pintura de Manoel Costa. Está
nela a beleza e o mistério da Amazônia.
Os bichos, as grandes águas, a mata. E acima
de tudo, as pessoas. A vida mágica do mundo amazônico
e daqueles que o povoam. Longas mulheres cor de cobre,
manipulando a comida, o vasilhame, no lavoro cotidiano.
Homens lidando com os barcos, com os bichos, com a borracha,
com os frutos da terra.
Não é realismo acadêmico, mas não
é deformação eloborada, com intuitos
intelectualizantes. É a Amazônia, a misteriosa
Amazônia, vista pelo seu olhar especial e amoroso
de pintor.
|
|