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Raquel de Queiroz

 
O escritor se lembra, sonha, inventa - e depois faz disso matéria literária. Já o artista plástico, o que ele inventa, o que ele sonha, o que recorda, há que ter uma existência objetiva, feito cor, luz e imagem. As suas imaginações devem ter uma dimensão formal no espaço, uma existência na verdade concreta. Daí a dificuldade do pobre escritor de opinar sobre artes plásticas. Tem que ficar na apreciação emocional, no impacto que lhe causou a obra de arte, já que as dificuldades da técnica estão acima do seu entendimento.

Digo isso tudo diante da pintura de Manoel Costa. Está nela a beleza e o mistério da Amazônia. Os bichos, as grandes águas, a mata. E acima de tudo, as pessoas. A vida mágica do mundo amazônico e daqueles que o povoam. Longas mulheres cor de cobre, manipulando a comida, o vasilhame, no lavoro cotidiano. Homens lidando com os barcos, com os bichos, com a borracha, com os frutos da terra.

Não é realismo acadêmico, mas não é deformação eloborada, com intuitos intelectualizantes. É a Amazônia, a misteriosa Amazônia, vista pelo seu olhar especial e amoroso de pintor.