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Eduardo Portella

 
A pintura plural de Manoel Costa parece juntar duas extremidades que estariam fadadas ao desencontro, mas que, graças ao seu pincel confluente, se reencontram e se harmonizam. De um lado, a raiz local, o variado tema nacional, o trabalho e seus desafios cotidianos. Do outro, a moldura universalizante, a semana já agora santa, a visão crispada do eterno. No centro, ou melhor, no cerne, corta a força da cor, os materiais que se tornam autônomos, e apontam e apostam na dimensão solidária do homem, enviado e extraviado. A cor é uma forma de redenção, quando a alma rebenta os limites da forma. E ganha o mundo, o campo, a cidade, a vida cotidiana. A paleta emocionada de Manoel Costa sabe compor, superlativamente, esses pedaços sortidos da nossa história.