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Fernando Canto

 
Nitidamente incontestável, o lado plástico da obra do pintor Manoel Costa sustenta uma harmonia que abrasa os olhos mais frios de qualquer pessoa desavisada sobre a qualidade de seus trabalhos atuais, onde o artista cirze as rupturas do passado com o presente e adoça as águas do mar, trazendo igarapés amazônicos em preamares permanentes na universalização de sua arte.

Isentando o aspecto regional, por onde começou a trabalhar, Manoel Costa estigmatiza em suas telas apenas o homem: O homem coisificado pelas circunstâncias, o homem dogmatizado pelas intempéries, o homem exacerbado pelas condições que o próprio ofício lhe oferece, enfim, o homem que se pluraliza na forma de ganhar a vida enfrentando os êmulos naturais.

À conduta de um pensamento fértil, a expressão dos sentidos é a tônica que exala desde suas primeiras telas, quando enfoca a natureza propondo abrigo ao homem. Um consentimento, aliás, eivado de amores e traições, às vezes anômalos, entretanto despojados de intenções. É um trabalho terrenal, cintilante ao ponto de vertigem, obra singular conduzida a bordo de um artista plural.