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Nitidamente incontestável, o lado plástico da obra do
pintor Manoel Costa sustenta uma harmonia que abrasa
os olhos mais frios de qualquer pessoa desavisada sobre
a qualidade de seus trabalhos atuais, onde o artista
cirze as rupturas do passado com o presente e adoça
as águas do mar, trazendo igarapés amazônicos em preamares
permanentes na universalização de sua arte.
Isentando o aspecto regional, por onde começou a trabalhar,
Manoel Costa estigmatiza em suas telas apenas o homem:
O homem coisificado pelas circunstâncias, o homem dogmatizado
pelas intempéries, o homem exacerbado pelas condições
que o próprio ofício lhe oferece, enfim, o homem que
se pluraliza na forma de ganhar a vida enfrentando os
êmulos naturais.
À conduta de um pensamento fértil, a expressão dos sentidos
é a tônica que exala desde suas primeiras telas, quando
enfoca a natureza propondo abrigo ao homem. Um consentimento,
aliás, eivado de amores e traições, às vezes anômalos,
entretanto despojados de intenções. É um trabalho terrenal,
cintilante ao ponto de vertigem, obra singular conduzida
a bordo de um artista plural.
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