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Geralmente, os pintores criam composições não-realistas,
exclusivamente pictóricas, com visualidades de estritas
simbolizações de plasticidade pura, sem referência à
realidade exterior, para inserirem o abstracionismo
nas suas obras como antítese dos seus figurativismos
muito desenvolvidos e bem consumados e definidos. Os
exemplos de abstrações, enquanto antinômicas transições
da representação objetiva da realidade exterior para
a pintura plenamente irrealista e informalista em tanto
que metáfora de uma singular subjetivação total da criação
individual e ímpar têm sido tão freqüentes e numerosas
na arte moderna mundial que já constituem regra genérica.
Manoel Costa é um caso extrínseco a essa regra, porque,
entre o seu figurativismo e o não-figurativismo, não
há, fundamentalmente, ruptura total do ponto de vista
pictórico, mas sim uma coerente correlação essencial
em termos artesanais. Apresentando recursos técnicos
e soluções artesanais iguais, ou seja, acentuado contraste
direto de cores escuras com claras e com gradações tonais
destas numa textura de matéria variando da veladura
com pincel ao empastamento com espátula, o informalismo
com característica tachista e o figurativismo com feição
expressionista concebidos por Manoel Costa constituem
um signo da sua preocupação só com o ato de pintar em
si, independentemente de representatividade figurativo-realista
ou não. Para Manoel Costa, a pintura não é confronto
dialético de formas de estilos extremas, díspares e
alternativas. Ela consiste numa plasticidade unívoca
e apropriada tanto para configurar uma visão individual
do real comum, quanto para exprimir uma densa subjetivação
da criação artística.
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