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João Carlos Cavalcanti

 
Geralmente, os pintores criam composições não-realistas, exclusivamente pictóricas, com visualidades de estritas simbolizações de plasticidade pura, sem referência à realidade exterior, para inserirem o abstracionismo nas suas obras como antítese dos seus figurativismos muito desenvolvidos e bem consumados e definidos. Os exemplos de abstrações, enquanto antinômicas transições da representação objetiva da realidade exterior para a pintura plenamente irrealista e informalista em tanto que metáfora de uma singular subjetivação total da criação individual e ímpar têm sido tão freqüentes e numerosas na arte moderna mundial que já constituem regra genérica.

Manoel Costa é um caso extrínseco a essa regra, porque, entre o seu figurativismo e o não-figurativismo, não há, fundamentalmente, ruptura total do ponto de vista pictórico, mas sim uma coerente correlação essencial em termos artesanais. Apresentando recursos técnicos e soluções artesanais iguais, ou seja, acentuado contraste direto de cores escuras com claras e com gradações tonais destas numa textura de matéria variando da veladura com pincel ao empastamento com espátula, o informalismo com característica tachista e o figurativismo com feição expressionista concebidos por Manoel Costa constituem um signo da sua preocupação só com o ato de pintar em si, independentemente de representatividade figurativo-realista ou não. Para Manoel Costa, a pintura não é confronto dialético de formas de estilos extremas, díspares e alternativas. Ela consiste numa plasticidade unívoca e apropriada tanto para configurar uma visão individual do real comum, quanto para exprimir uma densa subjetivação da criação artística.